sexta-feira, 23 de março de 2018

A cura pelo silencio e o encontro da empatia

Sabe aquela história de trabalhar o silêncio? De não falar mesmo, ou de falar menos. Eu não sabia o que era isso. Eu sempre tinha algo a dizer, sempre tinha uma opinião "formada" e "dizia mermo"! Mesmo que essa opinião fosse formada através de outras opiniões e de leituras superficiais, sem nenhuma pausa minha para o senso critico. Aquela velha história da reprodução.


Silêncio, do Latim silentium, silere, tem o sentido de calar…


“Abstenção voluntária de falar, de pronunciar qualquer palavra ou emitir qualquer som, de escrever, de manifestar os pensamentos”. Michaelis


Sempre ouvia as pessoas dizerem como era engrandecedor trabalhar o silêncio, o calar, o escutar mais... Mas sempre achei que era uma terapia impossível pra mim. Que tenho sempre a mente tão fervilhante e nenhum medo de aparecer. Até que 3 coisas aconteceram na minha vida:

1. Comecei a me cansar de discutir com quem "sempre" tinha razão e daí me questionei se eu não era exatamente igual aquelas pessoas, irritante e irredutível (Isso aconteceu principalmente nas redes sociais). E eu era. Daí eu decidi não discutir mais com quem eu sabia que não estava disposto a, pelo menos, entender. E percebi uma coisa ainda maior, cada um fala a partir da sua perspectiva (ilustração perfeita abaixo) e julga as coisas a partir da suas experiencias, não significando que el@ ou eu estamos errados, mas muito menos podemos afirmar que estamos certos. Isso me intriga principalmente quando o assunto está relacionado a um terceira pessoa, que tem uma experiencia completamente diferente da minha ou da pessoas com a qual estou discutindo, percebi então que o que mais cabe aqui é a empatia. Se eu não for capaz de me colocar no lugar do outro eu jamais serei capaz de compreende-lo. E se eu noto essa minha incapacidade, o melhor que posso fazer é calar.


Quiçá seja apenas um rabisco que nada tem a dizer.


2. Passei a conviver com uma pessoa que fala pouco e que é muito diplomática e percebi, que incrivelmente, toda vez que essa pessoa falava, mesmo falando baixo, mesmo falando pouco, mesmo sem querer polemizar, TODOS davam atenção ao que ela tinha a dizer. Refletindo sobre isso, percebi que quando você fala, fala, fala, as pessoas param de dar importância. É a banalização da opinião. Então eu me convenci um pouco mais em tentar falar um pouco menos.

3. De repente de um dia para o outro eu vou morar num lugar com um idioma que não domino.  No início eu fiquei triste, depois eu criei empatia (mais uma vez essa palavra) pelas pessoas envergonhadas, as quais eu nunca tinha compreendido, porque para mim sempre tinha sido fácil. E agora eu sentia: "não vou falar porque as pessoas vão ter que dar muita atenção ao que eu estou dizendo para conseguir entender e eu vou ficar nervosa, então vou gaguejar, melhor não falar". E eu passei 3 meses assim. Falando somente o necessário, perguntando menos, me concentrando mais no que as pessoas falavam para não perder nada e não ter que falar. Passado mais um tempo eu consegui falar melhor, mas ainda assim era diferente, o meu sotaque era claramente estrangeiro, a minha pele nitidamente latina e mesmo que eu falasse as palavras da maneira certa, as pessoas continuavam não entendendo tão bem e eu continuei com a ideia de só falar o que era realmente necessário. 

Daí eu entendi o que o Chico Xavier quis dizer com:


" Quem fala menos ouve melhor, e quem ouve melhor aprende mais."



Sim, no começo foi uma tortura. Mas agora sinto que esse momento foi bom para a minha vida. Pois, passei a pensar mais antes de falar, a refletir se eu realmente sei daquele assunto, ou se eu realmente estou pensando no que aquela pessoa vai sentir depois que eu falar, por exemplo. Durante as aulas eu passei a respeitar mais os professores e meus companheiros, deixei de ser aquela que sempre se antecipava nas perguntas, aquela que era chata.
Mas eu sofri. Sofri por não conseguir ser a melhor, por ter que pedir ajuda, por ter de reconhecer minhas fraquezas. Por discordar e não poder rebater. Mas ainda assim foi bom porque eu consegui trabalhar essa coisa que pra mim parecia impossível. Calar.
E não falar traz consigo coisas grandiosas. Eu não queria mais magoar as pessoas, tão pouco quero me calar diante das minhas convicções, mas hoje estou feliz em me sentir livre pra entender, pra mudar, pra escutar, pelo simples fato de não falar mais tanto, de ter aprendido minimamente a pensar antes. Estou livre de mim. Do que eu creia que era ser "a melhor",. depois que eu calei.


“Já não corro atrás de grandezas ou das coisas fora do meu alcance… Meus desejos se acalmaram… Estou sossegado e tranquilo como uma criança satisfeita no colo da mãe… Espera no Senhor, desde agora e para sempre” Salmo 131(130).
Leituras sugeridas:

O silêncio tem a força de curar                 - Profa. Maria Luiza Marins Holtz

Silêncio Interno                                          - Blog Cura e auto cura
O silêncio é o prognóstico da cura            - Blog A soma de todos os afetos
TAO – A Sabedoria do Silêncio Interno   - Blog portal do budismo


Vale ressaltar que não é porque eu cito o Chico Xavier que eu sou espirita, nem porque tô indicando ler sobre o budismo que sou budista. Na verdade PARA MIM as religiões não funcionam, mas de todas elas é possível tirar uma coisa boa boa para a sua vida! Leia mais, seja mais crítico, esperimente até se encontrar em você.

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